Relendo meus escrivinhados, percebi que faltaram informações necessárias. Ei-las...
Na época em que saímos pela primeira vez da casa da minha avó, minha mãe fumava (aliás, desde os 15 anos de idade...). Então, quando ela chegava cansada do trabalho à tarde, sempre ficava pedindo coisas, tipo me dá um café, me dá um cigarro. Só que, o cigarro geralmente era acendido por nós, no fogão. Mas não podia queimar. Tinha que ser branquinho, branquinho... Então, nós, minha irmã e eu, tínhamos que dar uma puxadinha no cigarro. Foi assim que, aos 15 anos também passei a "tragar" o cigarro e fiquei viciada. Minha irmã então...
Lembro-me que uma noite de sábado minha mãe pôs uma panela de pressão com feijão no fogo e saiu. Estávamos dormindo, minha irmã e eu. Aí a panela pegou fogo, foi um fumaceiro. Nós acordamos com os vizinhos que arrombaram a janela, nos tiraram de lá e apagaram o princípio de incêndio. Foi assustador. Quando procuraram minha mãe, ela estava em um bar com amigos.
Nesta época, vimos muitos amigos dela passar pela nossa casa. Alguns eram legais, nos dava coisas, doces etc. Outros maliciosos...
Foi Deus que nos protegeu, porque ficávamos sozinhas o dia inteiro. Tinha uns que nos levava a bares, pagava refrigerantes, conversava. Lembro que andávamos descalças pela rua, como desvalidas... Eu sempre fui mais "safa". Sabia distinguir um amigo de "aquele amigo". Minha mãe tinha coleções de livros, tipo romances, e eu já lia autores como Sidney Sheldon, então já tinha conhecimento de algumas coisas relacionadas à sexo...
Posso afirmar sem medo de errar que eu sou uma das heroínas de Sydney. Graças a ele pude sobreviver, sem ele, não sei não...
sábado, 31 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
ALMA INVOLUNTÁRIA
Bom, nós sobrevivíamos assim. Minha mãe, depois de nos surrar, chorava enquanto pensava que dormíamos. Eu a odiava ainda mais por isso. Se estava arrependida, por que fazia tudo de novo no dia seguinte? Às vezes fazia até pior!
Meu silêncio para minha mãe era pirraça. Eu até hoje tenho dificuldades de me expressar.
Tem muito mais coisas desse período, mas quero me reservar a falar de mim. Outros assuntos são legalmente proibidos e perigosos. Quem sabe um dia crio coragem e escrevo em um livro contando TUDO!?.
Sempre fui excelente aluna e as notas altas não serviam pra aplacar o ódio da minha mãe por nós.
Um dia meu pai apareceu. Alegria, felicidade...
Mas, tudo voltou ao que era: meu pai longe, meu irmão mais perto, mas ainda longe, minha mãe mais amargurada e ressentida, nós carentes de amor...
Lembro-me que eu andava na chuva, pés descalços caçando meu pai pelas ruas da minha cidade, chorando à vontade porque minhas lágrimas eram escondidas pela chuva e ninguém me perguntaria o motivo de estar chorando... Um dia, vi meu pai chegando, alegria, felicidade e orgulho ao dizer que finalmente eu iria ganhar a bicicleta que ele prometera se passasse de ano. Eu lhe disse que não só passara de ano, como fui a melhor aluna da sala. Perguntei quando ele iria me comprar a bicicleta e ele respondeu: só se for uma de madeira... Eu me senti um lixo...
Um dia, era meu aniversário e minha mãe iria viajar a passeio. Ela esquecera...
À tarde, na casa da minha avó, eu estava triste e chorosa porque minha mãe não se lembrara e minha avó, percebendo minha angústia, perguntou-me o motivo. Quando eu lhe disse ela me lançou aquele olhar de piedade. Depois me abraçou e me deu um presente. Chorei mais ainda por perceber que eu estava inspirando pena. Minha mãe voltou da viagem alegre, bêbada e feliz.
Até hoje ela esquece meus aniversários.
Passados um tempo, minha mãe foi trabalhar um outro estado e voltamos a morar na casa da minha avó, minha irmã e eu, onde quase fui estuprada por um tio. Minhas tias e tios nos espancavam todo dia. Acho que era ciúme da minha querida avó, Cândida. Eles agora tinham que dividi-la conosco.
Nos dias chuvosos eu fazia barquinhos de papel pra pôr nas poças de água que passavam na frente da casa da minha avó enquanto chorava ouvindo a música Pai de Fábio Júnior. Até hoje fico melancólica em dias de chuva, e sempre choro ao ouvir esta canção.
Um dia, meu pai veio nos buscar, porque, segundo ele, estávamos à toa enquanto nossa mãe viajava a trabalho.
Foi o melhor dia da minha vida. Eu finalmente iria morar com meu pai, finalmente eu seria amada e tratada com carinho.
Aí meu pai nos levou pra sua casa de dois cômodos, onde ele morava com outra mulher e já tinha outra filha, um bebê lindo e rechonchudo. Onde iríamos dormir? No chão, sob um tapete de uns dois centímetros. Na casa de meu pai só havia uma cama de solteiro que ele dividia com sua mulher e seu bebê. Mas pra mim, nada disso importava!
No dia seguinte, meu pai saiu com minha irmã e voltou sem ela. Havia entregue a uma família pra trabalhar como doméstica. Ele nem conhecia aquelas pessoas! Nem sabia onde moravam! Fui entregue a uma senhora viúva que tinha uma boutique. Ela me usurpou até meu nome: me chamava de Vanusa. Fui explorada até dizer chega. Era a última a dormir e a primeira a levantar. Só comia os restos de comida que ela deixava, se deixasse. Antes de sair com ela pra trabalhar na boutique, eu tinha que fazer o almoço, o café da manhã e só então acordá-la. Ela me obrigava a trabalhar de domingo a domingo. Certa vez ela me mandou fazer uma ensopado de carne com verduras. A panela estava pequena. Então ela me mandou trocar por uma panela maior. O refogado já estava fervendo há tempos no fogo. Quando virei a panela, o caldo entornou no meu pé, queimando-o. Ela gritava: meu cozido! Meu cozido! E eu ali, chorando de dor. Eu devia ter uns 11 anos e era menor do que a panela que tava no fogo.
Um dia meu pai, talvez pelo remorso, foi me buscar. Aí fomos buscar minha irmã e, pergunta daqui e dali, encontramos ela. A dona da casa nem deixou a gente entrar. E eu vi minha irmãzinha, descabelada, magra, com cara de sofrimento. Desatei a chorar e até agora quando lembro-me choro. Ela me confidenciou que quase fora estuprada pelo marido da dona da casa.
Não sei como, mas voltamos a morar com nossa mãe, que a esta altura já havia voltado de viagem. Meu pai voltou a se afastar. E as surras recomeçaram...
...(continua)...
Meu silêncio para minha mãe era pirraça. Eu até hoje tenho dificuldades de me expressar.
Tem muito mais coisas desse período, mas quero me reservar a falar de mim. Outros assuntos são legalmente proibidos e perigosos. Quem sabe um dia crio coragem e escrevo em um livro contando TUDO!?.
Sempre fui excelente aluna e as notas altas não serviam pra aplacar o ódio da minha mãe por nós.
Um dia meu pai apareceu. Alegria, felicidade...
Mas, tudo voltou ao que era: meu pai longe, meu irmão mais perto, mas ainda longe, minha mãe mais amargurada e ressentida, nós carentes de amor...
Lembro-me que eu andava na chuva, pés descalços caçando meu pai pelas ruas da minha cidade, chorando à vontade porque minhas lágrimas eram escondidas pela chuva e ninguém me perguntaria o motivo de estar chorando... Um dia, vi meu pai chegando, alegria, felicidade e orgulho ao dizer que finalmente eu iria ganhar a bicicleta que ele prometera se passasse de ano. Eu lhe disse que não só passara de ano, como fui a melhor aluna da sala. Perguntei quando ele iria me comprar a bicicleta e ele respondeu: só se for uma de madeira... Eu me senti um lixo...
Um dia, era meu aniversário e minha mãe iria viajar a passeio. Ela esquecera...
À tarde, na casa da minha avó, eu estava triste e chorosa porque minha mãe não se lembrara e minha avó, percebendo minha angústia, perguntou-me o motivo. Quando eu lhe disse ela me lançou aquele olhar de piedade. Depois me abraçou e me deu um presente. Chorei mais ainda por perceber que eu estava inspirando pena. Minha mãe voltou da viagem alegre, bêbada e feliz.
Até hoje ela esquece meus aniversários.
Passados um tempo, minha mãe foi trabalhar um outro estado e voltamos a morar na casa da minha avó, minha irmã e eu, onde quase fui estuprada por um tio. Minhas tias e tios nos espancavam todo dia. Acho que era ciúme da minha querida avó, Cândida. Eles agora tinham que dividi-la conosco.
Nos dias chuvosos eu fazia barquinhos de papel pra pôr nas poças de água que passavam na frente da casa da minha avó enquanto chorava ouvindo a música Pai de Fábio Júnior. Até hoje fico melancólica em dias de chuva, e sempre choro ao ouvir esta canção.
Um dia, meu pai veio nos buscar, porque, segundo ele, estávamos à toa enquanto nossa mãe viajava a trabalho.
Foi o melhor dia da minha vida. Eu finalmente iria morar com meu pai, finalmente eu seria amada e tratada com carinho.
Aí meu pai nos levou pra sua casa de dois cômodos, onde ele morava com outra mulher e já tinha outra filha, um bebê lindo e rechonchudo. Onde iríamos dormir? No chão, sob um tapete de uns dois centímetros. Na casa de meu pai só havia uma cama de solteiro que ele dividia com sua mulher e seu bebê. Mas pra mim, nada disso importava!
No dia seguinte, meu pai saiu com minha irmã e voltou sem ela. Havia entregue a uma família pra trabalhar como doméstica. Ele nem conhecia aquelas pessoas! Nem sabia onde moravam! Fui entregue a uma senhora viúva que tinha uma boutique. Ela me usurpou até meu nome: me chamava de Vanusa. Fui explorada até dizer chega. Era a última a dormir e a primeira a levantar. Só comia os restos de comida que ela deixava, se deixasse. Antes de sair com ela pra trabalhar na boutique, eu tinha que fazer o almoço, o café da manhã e só então acordá-la. Ela me obrigava a trabalhar de domingo a domingo. Certa vez ela me mandou fazer uma ensopado de carne com verduras. A panela estava pequena. Então ela me mandou trocar por uma panela maior. O refogado já estava fervendo há tempos no fogo. Quando virei a panela, o caldo entornou no meu pé, queimando-o. Ela gritava: meu cozido! Meu cozido! E eu ali, chorando de dor. Eu devia ter uns 11 anos e era menor do que a panela que tava no fogo.
Um dia meu pai, talvez pelo remorso, foi me buscar. Aí fomos buscar minha irmã e, pergunta daqui e dali, encontramos ela. A dona da casa nem deixou a gente entrar. E eu vi minha irmãzinha, descabelada, magra, com cara de sofrimento. Desatei a chorar e até agora quando lembro-me choro. Ela me confidenciou que quase fora estuprada pelo marido da dona da casa.
Não sei como, mas voltamos a morar com nossa mãe, que a esta altura já havia voltado de viagem. Meu pai voltou a se afastar. E as surras recomeçaram...
...(continua)...
ALMA INVOLUNTÁRIA
Não posso precisar tempo, mas sei que vivemos pouco tempo na casa da minha avó. Logo minha mãe consegui um trabalho em uma empresa e nós fomos morar de aluguel. Visualize: eu e minha irmã ficávamos sozinhas a maior parte do dia, pois minha mãe ia trabalhar poela manhã e chegava no final da tarde. Então o que fazíamos? Ficávamos na casa de colegas o dia todo ou fazíamos ~experiências em casa como, fazer bala de pó de suco artificial, farofa doce, bolinhos e etc. Não lembrávamos que nossa mãe iria chegar até ela chegar e descarregar sua raiva (por nós, pelo nosso pai, pelo trabalho?) nos surrando de várias maneiras. Eu me sentia como uma prisioneira do Dops. Ela prendia nossa cabeça entre suas pernas e mandava ver. Às vezes éramos surradas com cintos de couro, com socos e pontapés, com tapas na cara, com tesouras e facas em riste ameaçando invadir nosso corpo. Às vezes ela inovava e nos levava ao matagal para escolhermos o cipó com que iria nos amaciar. Éramos felizes enquanto ela estivesse trabalhando, mas quando ela estava em casa vivíamos em um inferno. Nossas amigas e suas mães detestavam nossa mãe tanto quanto ela as detestava. Nós não tínhamos o direito nem de falar se el não quisesse. Pense no absurdo de uma mãe esconder bitucas de cigarros pelos cantos da casa pela manhã e à tarde ir verificar se ainda estavam lá. Caso estivessem, mais surras pois isso significava que não tínhamos varriso a casa direito. Minha mãe nos batia praticamente todos os dias. Não existiam diálogos. E ninguém se metia a dar conselhos ou separar durante uma surra. Todos os nossos vizinhos "entendiam" que minha mãe nos estava corrigindo. Para eles isso tudo era o correto. Tinha uma escova de pentear de osso rosa da AVON que era nosso suplício. Levávamos bolos nas mãos com ela e tínhamos que dizer quantas dúzias queríamos de bolo em cada mão. Se tirássemos a mãe, a quantidade dobrava. Gritar então, nem pensar! Só me restava chorar baixinho e implodir por dentro toda vez que eu via o olhar sádico de prazer da minha mãe ao aplicar seus "corretivos". Lembro-me de um episódio especial desta época em que uma professora me perguntou porque minhas mãos estavam inchadas e eu lhe disse ingenuamente que eu havia ferido em um arame farpado. A escola nunca interviu. Meu único consolo era a minha querida avó, Cândida. Ela cuidava das minhas feridas. Não perguntava nada. Simplesmente cuidava de secar meus ferimentos, pôr mastruz nas minhas mãos pra desinchar. Calada, sempre calada. Mas o seu olhar de piedade por aquela criança amarela, magra e ferida era todo o amor de que eu precisava para não enlouquecer. Minha irmã fugia. Fugia da mãe, das surras e da culpa de saber que era a responsável pela separação dos pais. Essa era a sua cruz. Essa era a sua saída. Fugir pra casa de uma tia sempre que fazia algo considerado errado pela nossa mãe. A mim, covarde demais pra fugir, restava suportar.
Isso e muito mais...
...(continua)...
Isso e muito mais...
...(continua)...
Por que alma Involuntária?
Esse título nasceu em mim quando eu tinha cerca de 15 anos, era virgem e estava apaixonada por um homem casado. Ele, esperto, se aproveitou da minha paixonite e, créu!
No auge do meu sofrimento amoroso, brotou em mim este título que eu sabia iria dar em um livro. Como nunca tive em mim a segurança de me aventurar pela literatura como autora e aproveitando-me de um momento em que estou profundamente irritada e inspirada, vamos lá a minha história (preparem o lenço ou riam a valer).
Nascida em 75, filha do meio de um casal de jovens iludidos e fogosos (nasci no mesmo ano que minha irmã mais velha e um ano antes que meu irmão caçula), sempre me senti meio invisível.
Primeiro, porque não fui a tão esperada, desejada e amada 1ª filha filha, nem o tão almejado 1º filho macho. Sou e sempre serei a filha do meio. Até meu parto foi insignificante. Contam que quando o médico chegou, eu já estava calmamente nos braços de uma enfermeira que não me deixara cair no chão quando irrompi mundo afora.
Segundo, porque sempre fui muito observadora e sensível. Desde sempre lembro-me que meu pai me amou muito menos. Não só do que eu merecia por ser sua filha também, mas porque eu percebia que isso era apenas comigo. Não quero me antecipar... Vou começar devagar... Do início...
Minha mãe era muito jovem (menos de 15 anos) e sua relação com meu pai começou errada. É claro que as coisas que antecederam ao meu nascimento fiquei sabendo por eles mesmos, então, se eu cometer algum deslize, perdoem-me. Até porque, graças a Deus meus pais e irmãos estão vivos e saudáveis e podem (e devem, se necessário) me desmentir.
Filha de uma família paupérrima, minha mãe, uma branca no meio de vários irmãos negros, sempre foi valorizada por sua "beleza" e usava isso em seu favor. Sempre buscou trabalhar para mudar de vida (herdei estas características dela).
Conheceu meu pai, que já tinha mulher e filhos e abandonou a tudo para se casar legalmente com ela, num tempo em que ele, por ter uma habilidade muito valorizada (era motorista de caminhão), possuía emprego e tinha mais condições financeiras do que até então minha mãe conhecia.
Casados e com filhos sem terem tido tempo de se conhecerem mais profundamente antes da 1ª gravidez, eles perceberam tarde demais que tinham incompatibilidade de gênios. Minha mãe era a força, meu pai a fraqueza. Minha mãe era a água, meu pai o vinho. Minha mãe queria aproveitar a liberdade, meu pai era possessivo e ciumento. Resultado: brigas, brigas e brigas. E a separação veio após 10 anos de mentiras, desconfianças e desavenças.
E nós, os filhos no meio disso tudo sem entender porque nosso pai destruía nossas coisas após discutir com nossa mãe. Sem entendermos porque não nos alimentávamos mais nos horários de sempre, porque tínhamos que sair da nossa querida escola particular, porque nosso pai não mais nos poria em seus ombros, ou nos ensinaria a andar de bicicleta (embora eu sentisse que ele não tinha muita paciência comigo por não saber pedalar sem as rodinhas laterais e sempre evitasse me colocar à bicicleta, ao contrário da minha irmã, que pedalava com todo vigor), e sem entender porque nosso pai foi embora pra outro estado e levou nosso irmão com ele (por que ele não me levara?), ou porque tínhamos que sair da nossa casa e ir morar com nossa avó materna e com vários tios e tias numa casa que mal cabia eles quem diria nós... E como entender que nossos móveis foram vendidos por um pai vingativo que precisava de dinheiro pra viajar, e que não pensara em nós e decidira tudo isso em menos de uma semana, sem se despedir de nós, da nossa mãe, a não ser através de uma carta? Por que não nos explicavam nada?
Desde muito nova eu, talvez sob o domínio do complexo de Édipo, amei meu pai acima de todas as coisas. E ele sempre me frustrou. Mesmo agora.
Vivíamos numa espécie de limbo, pelo menos até a chegada das cartas de meu pai contando sobre sua vida em Aracaju com nosso irmão que líamos e chorávamos à exaustão. Lembro-me que nosso ritual era ouvir nossa mãe ler a carta e chorar com ela com saudades nos nossos queridos, embora eu hoje ache que a saudade da minha mãe se restringia ao meu irmão (seu único e verdadeiro amor).
Volto minhas lembranças até este tempo e posso afirmar que, sem sombra de dúvidas, nossa mãe sempre nos culpou (eu e minha irmã).
Não sei porque meu pai escolheu meu irmão. Pode ter sido pela sua masculinidade ou talvez para punir minha mãe. O que sei é que sempre pagamos o preço. Sempre me senti a filha desgraçada daquele desgraçado. A que tinha o sague ruim daquele homem que tanto a fizera sofrer. Anos e anos ouvimos isso. E muito mais... E foi aí que as agressões começaram...
E sei, com toda certeza, que foi a partir daí que passei a odiar a minha mãe. Com toda força do meu ser.
...(continua)...
Assinar:
Comentários (Atom)