domingo, 16 de janeiro de 2011

História Repetida

Já contei que sou meio recalcada. Às vezes sinto que repito algumas coisas que ouço de alguém, atos, palavras, reações... Mas, ao longo desses anos, aprendi com a minha mãe que algumas situaçõs eu tenho a obrigação de jamais repetir.
Principalmente quando se trata de algo relacionado à minha filhinha. Por exemplo, se eu me vejo diante de alguma situação em que preciso escolher como tratá-la, parto do princípio de como minha mãe me tratava. Aí, faço o contrário. Assim sei que estou fazendo a coisa certa.
Mas, tem coisas que me vejo repetindo, mesmo me policiando ao extremo. Em relação aos meus amores, por exemplo.
Mantive um relacionamento de quase 9 anos. Era muito amor, muita dedicação. Foi o mais longo da minha vida. Dei-me quase por completo. Mas, chegou um momento em que me senti meio obrigada a escolher entre um amor e outro: ou ele, ou a minha filha. Dizem que os filhos são os pontos fracos das mães. Não entendo isso...
No meu caso, a minha filha é o meu ponto mais forte. Sem ela eu talvez estivesse mais à deriva neste barco que é a vida. A minha filha não foi planejada, mas foi muito, muito desejada. Sempre me senti muito só. Como se eu não fizesse parte da história que estava sendo contada. Tentava me ver como protagonista dessa história, mas sempre me via como uma figurante. Nunca fui importante para ninguém. Era cheia de amor para trocar e nunca havia encontrado alguém que eu soubesse que merecesse o meu amor incondicional.
A minha filha mudou isso. Ela é a minha melhor criação, com ela eu sei que desempenho o meu melhor papel. Me sinto completa ao olhá-la, ao falar com ela, a cheirá-la, a abraçá-la. O simples fato de lembrar que ela existe me dá uma felicidade que não daria para escrever com essas linhas. Lembrar dela me faz sorrir de felicidade.
Ela sou eu. E eu sou a minha mãe. Tento recuperar sentimentos há muito guardados em mim. Tento fazer com ela o que gostaria que a minha mãe tivesse feito comigo. Busco redimir a minha mãe no meu coração através da minha filha. Nem sempre dá certo, principalmente quando estamos juntas: minha mãe e eu. Ela parece que sempre tem algum ponto negativo para abordar, sabe? E nessas horas me dá vontade de perguntar: o que você sabe sobre isso? Você nunca cuidou de mim... Mas, me calo. E sinceramente nem sei porque. Talvez exista em mim esperança. Ou talvez eu tenha dado minha mãe como um caso perdido...
Sempre que tenho alguma dúvida sobre o que fazer, busco o conforto de saber que tenho que fazer primeiramente aquilo que for o melhor para a minha filha. E isso é o meu leme, o meu norte.
Então, como eu estava falando desse amor de quase 9 anos. Eu tenho o dedo podre para escolher homens. Todos aqueles que balançaram meu coração, fizeram tantos estragos que foi por pura sorte de ter um tesouro como a minha filha que não desisti de viver.
O primeiro, seu pai, é um ausente. Nunca se sentiu responsável por essa filha linda e maravilhosa que Deus nos deu. O segundo, meu grande amor, vinha de um outro relacionamento com filho também e isso chocou nossa relação terrivelmente. A tal mulher não largou o osso e pronto.
O terceiro e último, o mais maduro, centrado, seguro. Encantou-me porque encantou meu tesouro, minha filha. Era adorável, amoroso, companheiro, carinhoso. Depois de certo tempo, parecia me disputar com ela e quando isso acontecia era uma merda. Porque eu, claro, ficava sempre com minha exclusívissima prioridade: ela.
A coisa foi degringolando, e aí, ...deu!
Nunca pensei que ela estivesse exposta a qualquer risco com ele e quando vi essa possibilidade foi horrível. Alías, vi que nós duas corríamos um grave risco diante de alguém descontrolado, passional, cruel, vingativo, dominador, canalha, violento. Foi uma triste surpresa ver que me enganara por tanto tempo com alguém para com quem investi tanto por nada.
Mas, não titubeei em momento algum ao encerrar essa relação. Jamais pensaria no risco que corremos, e diante dele, só pude rezar para que nada de grave acontecesse primeiro a ela, depois a mim. Graças Deus estamos protegidas agora.
Tem lições que nem minha mãe pôde me ensinar.
Lição vivida, lição aprendida.
Obrigada Deus, pela saúde da minha filha.
Amém!

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