Vou descarregar aquilo que minha alma carrega como um fardo pesado e amargo que me corroi o tempo todo e que vivo escondendo para não assustar aos outros.
Recorte: num grupo, numa palestra, fomos convidados a falar aos demais de quem e como alguém importante para nossa vida nos influenciara. Deixei todos falarem das suas avós, dos seus pais e das suas mães. Falei de coração e o nome que saiu foi: Sidney Sheldon, falecido escritor romancista que retratou heroínas fortes e lutadoras, com histórico familiar bem complexo. Todos ficaram impressionados com minha "frieza". Mas, não era pra falar a verdade???
Como posso citar influências de mãe e pai se foram, na sua maioria, negativas.
Ainda hoje recebi uma mensagem de celular da minha mãe pedindo desculpas pelos seus erros (hã???) e dizendo que amava a mim e a minha filha.
Tá, senta lá, mainha...
Agora vamos entender o contexto dessa tão singela e humilde mensagem.
LINHA DO TEMPO:
2005 - última visita feita pelos meus pais à minha casa - haviam esquecido do meu aniversário e resolveram compensar;
2006 a 2009 - continuaram esquecendo a data e não compensaram mais nada (pra quê?!);
2010 - recebi no trabalho a visita da minha mãe no dia do meu aniversário. Almoçamos, conversamos e foi tudo muito lindo e maravilhoso (mentira!);
2011 - que surpresa!!! esqueceram de novo. Ah! Devo ser muito má...
Além de esquecer na data, nos dias posteriores nenhuma ligação, mensagem de texto, sinal de fumaça. NADA! E sempre um discurso de pessoa vitimizada pela maldade daquela filha má, desnaturada. (EU!).
Pra dar aquela inovada no quadro, este ano, 2012, esqueceram também o aniversário da minha filha. Pior! Todos esqueceram: os seus avós, os seus tios.
Já sei, esse é o meu castigo por ter escolhido vir como integrante dessa família.
Ou então, por ser uma garota má.
Ah, vao todos à merda!!! TODOS!!!
E não retiro ninguém do bolo... Se é pra machucar, vamos machucar.
Sou boa nisso.
O que é que pode pedir uma mãe que fica distante, só se lamentando, se fazendo de vítima, coitadinha. Que conta histórias muito tristes de incompreensão, de maustratos (da parte dos outros, claro!). Da sua parte, relata lindos contos de fadas sobre como amou, zelou e cuidou das suas filhas, de como sofreu, de como chorou. Buá!
Fez tanto e agora uma de suas filhas a despreza, pelo que foi e pelo que continua sendo: uma merda de mãe!
Porque mãe se fizer sacrifícios não os faz por si, faz pelos filhos.
Uma mãe que se chora, é por que sofre querendo e batalhando pelo sucesso e pela felicidade dos seus filhos. E que sofre em dobro quando os vê sofrer.
Que dá a sua vida pelos filhos e não os troca por qualquer pedacinho de músculo guardado no meio das pernas de um qualquer. Que passa fome, mas calada e sorrindo pela certeza de que os seus filhos estão bem alimentados.
Que briga sim, que exige sim, que corrige sim, mas que faz por e com amor. Que entende que ser mãe é ser bendita, que Deus lhe outorgou esse milagre e sabe reconhecer essa missão.
Eu sou mãe.
Solteira, lutadora, mato e morro pela minha filha.
Brigo até com o próprio capeta por ela. Vou a pé ao Alasca, de lingerie.
E vou sorrindo por saber que estarei preservando a sobrevivência, o bem estar, a felicidade, o sucesso da minha filha.
Invisto nela, acredito nela, confio nela. Ela sou eu, alguém a quem eu amo com prazer, não por obrigação.
O rostinho que tenho prazer em beijar, em cheirar, em sentir seu calor.
O corpo que amo abraçar, fazer rir, e se fizer ela chorar, choro junto.
Ela sou eu. Eu sou ela.
Então, melhor será comprar briga só comigo, porque aí terá apenas o meu desprezo.
Mas se comprar briga com ela, terá todo o meu ódio, toda a minha fúria, toda a minha gana.
Eu realmente estou agora pronta pra vomitar esse rancor que só cresce.
Quem quiser, que venha!
Sei que é contraditório faalr em ódio e em amor em uma mesma postagem. Mas, são os opostos que se completam. Um sem o outro inexiste.
Talvez, Deus em sua infinita sabedoria saiba porque minha vida tinha que ser essa. Ou Freud.
Fato: eu não sei... E quer saber,
FUCK YOU!